segunda-feira, 18 de abril de 2016

"Tá escrito HOME no livro de INGREIS"

“Tá escrito HOME no livro de INGREIS”

Uma das coisas que me levaram a ser professora é o gosto por ensinar e, por meio do ensino, ajudar a abrir as mentes dos alunos e despertá-los para novas possibilidades em suas vidas.
Acredito que muitos dos meus colegas escolheram essa profissão pelo mesmo motivo, por acreditarem no poder do conhecimento para a construção de um mundo melhor. No entanto, embora a maioria dos meus colegas dê o melhor de si em suas aulas, muitas vezes, há uma confusão no entendimento dos alunos.
Um exemplo muito interessante foi quanto uma professora de História explicava com muito entusiasmo sobre a escravidão no Brasil, como os escravos eram trazidos, o que acontecia com eles, enfim uma tremenda aula. De repente, um garotinho diz:
- Minha mãe tem um monte de escravos em casa!
- Como? – perguntou a professora assustada com o comentário – Como sua mãe tem escravos em casa?
- É, minha mãe plantou um monte de “escravos” no jardim. – referindo-se com muito orgulho aos cravos que sua mãe havia plantado no jardim de sua casa.
A professora teve que explicar a diferença entre cravos e escravos ao garotinho. Mas, imaginem o que se passava na cabeça do menino enquanto ela explicava sobre todo o processo da escravidão!
Numa outra aula, agora de Geografia, a professora explicou sobre a Rosa dos Ventos e, como é muito comum, ensinou aos alunos como se desenha a tal rosa.
Ao dar uma prova dessa matéria, a professora não conseguia decifrar a resposta de uma aluna e ao chamá-la para perguntar sobre o que ela havia respondido, a garotinha respondeu como se fosse algo óbvio:
- É a “Rosa do Ventre”, professora!
No meu caso, como professora de Inglês, me deparo com situações “cacofônicas” das palavras em inglês. Por exemplo, quando faço a pronúncia dos verbos irregulares:
Come – came – come, cuja pronúncia é, mais ou menos câm, quêim, câm. Alguns alunos perguntam, maliciosamente: “Quem come quem?”
Give – gave – given, cuja pronúncia do gave lembra gay, e os alunos riem nesse momento.
E o mais nojento de todos: Meet – met – met, cuja pronúncia fica, mais ou menos mit, méti, méti. Nesse momento, já presenciei alunos comentando: “Esse tal de Mit é safado, hein!”
Além desses exemplos, eu tenho um que ocorreu numa escola rural, na qual eu dava aulas de Português e Inglês. Nessa escola, os alunos costumavam escrever da maneira que falavam, por exemplo: muié (mulher), nóis (nós), campiá (procurar) e eu costumava chamar-lhes a atenção para esse fato e pedir-lhes para que escrevessem corretamente.
Numa ocasião, um aluno gritou para mim, com um ar indignado:
- Professora, a senhora chama a atenção da gente quando nóis  escreve errado, mas aqui no livro escreveram errado também!
- O que está escrito errado? – perguntei assustada.
- Aqui ó! escrito HOME, no livro de ingreis! – apontando muito sério – E o certo é HOMEM!
Tive que segurar o riso e explicar ao menino que HOME em inglês é diferente de HOMEM em português.

Como dizem os sábios: ENSINAR É UMA ARTE!

sexta-feira, 15 de abril de 2016

EU VOU LHES DIZER ONDE OS ALUNOS ENFIAM O MATERIAL

EU VOU LHES DIZER ONDE OS ALUNOS ENFIAM O MATERIAL

          Lembro-me de quando eu era criança e meus pais tinham que comprar os materiais para que eu pudesse frequentar e escola: lápis, cadernos, régua, borracha, canetas etc.
Era uma alegria muito grande para mim, e acredito que também para meus coleguinhas, adquirir materiais novos no começo de cada ano e me lembro do orgulho que tínhamos ao gastar um lápis até que se tornasse um toquinho, gastar uma caneta até o final ou enchermos um caderno de lições e conseguir terminá-lo sem orelhas ou encardidos. Dava uma impressão de que estávamos estudando muito e que o uso dos materiais era consequência de nosso trabalho árduo.
Hoje em dia, no estado de São Paulo – Brasil, são distribuídos kits de materiais escolares, incluindo cadernos universitários de capa dura, caderno de desenho, compasso, lápis de cor, borrachas, apontadores, régua, esquadro, transferidores etc. e, misteriosamente, um mês após receber esse kit, os alunos se encontram sem borrachas, sem lápis ou canetas.
Quer dizer, nem tão misteriosamente, pois já vi vários usos inusitados desses materiais...
Um dia, eu estava observando a sala e um garoto, de aproximadamente 11 anos, havia feito um corte da extremidade até o centro de uma borracha. Fiquei observando o que ele faria com aquilo.
O garoto prendeu o corte da borracha em seu nariz, formando uma espécie de prendedor e ficou olhando para o garoto de trás para ver se esse achava graça do feito. Porém, o garoto de trás (meio lesado) olhava para o “prendedor” sem reação alguma.
Em outra ocasião, a professora de Artes presenciou outro uso dos materiais: enquanto organizava seus cadernos, ouviu um barulho estranho de pedaços de madeira batendo. Quando ela olhou para a sala, viu dois garotos que conseguiram prender lápis em seus calcanhares, por dentro dos tênis, e faziam uma “luta” de espadas com os lápis. Ela não conseguiu acreditar no que via.
Além dos materiais, o governo costumava distribuir livros paradidáticos, que eram para serem lidos com os alunos em sala de aula e eu, como professora de Português, incentivava a leitura desses livros.
No entanto, uma sala de 9º ano apresentava muitas dificuldades para ler e alguns costumavam ler em voz alta, atrapalhando a concentração dos outros alunos que liam em silêncio. Percebendo que isso acontecia, eu pedi para que os alunos lessem os livros apenas “com os olhos”, sem falar alto.
Quando eu olhei para o fundo da sala, vi um garoto colocando a lombada do livro sobre a ponta do nariz, suspendendo-o e olhando para cada lado do livro com um dos olhos, ficando com uma expressão de porco vesgo.
Além desses usos indevidos, ainda presenciamos folhas em branco jogadas no lixo, com apenas um risco, folhas de caderno transformadas em aviõezinhos ou bolinhas de papel. Canetas e lápis espalhados pelo chão da sala após as aulas, réguas quebradas por terem servido como espadas etc.


Eis apenas alguns exemplos de como os materiais são utilizados pelos alunos. Parece-me que, infelizmente, nem os alunos, nem os pais valorizam o que lhes parece dado “gratuitamente”. PARECE GRATUITO, pois quem tem um pouco de conhecimento sabe que esses materiais saem do nosso bolso e a um preço que SÓ O GOVERNO sabe.