Quem
dá aulas de Português e Matemática no estado sabe o quanto nós somos cobrados
para que os alunos tenham um bom desempenho no SARESP (Sistema de Avaliação do
Rendimento Escolar do Estado de São Paulo).
Eu
tinha uma sala com muitas dificuldades e, por causa do resultado que tiveram na
avaliação externa do primeiro bimestre, decidi ter uma conversa com eles, para
que se dedicassem mais e pudessem ter um melhor desempenho nas avaliações
seguintes.
Mas
havia um detalhe, uma menina que estava na sala por inclusão mental e,
ocasionalmente, costumava levantar-se da carteira e dançar, como se estivesse num balé, e eu tolerava essas
danças, pois, coitada, a condição na qual ela se encontrava não era culpa dela.
Era só uma expressão de alegria.
Continuando
o assunto, eu estava conversando com a sala sobre o seu desempenho e mostrando
as notas que haviam tirado na avaliação externa de maneira bem séria e preocupada.
Quando, de repente, a garota levantou e começou a fazer passos de balé,
imitando o lago dos cisnes.
Apesar
do evento, segui falando seriamente com os alunos e estes continuaram quietos,
prestando atenção no que eu estava dizendo. Tolerei a garota dançando durante
alguns minutos, até que eu não aguentei mais e dei um grito, mandando-a sentar.
Ela sentou e abaixou sua cabeça.
Ao
mesmo tempo em que senti pena da menina, eu estava numa situação em que
necessitava da atenção total dos alunos e é claro que uma garota dançando ao
meu lado os dispersaria muito. Tive que fazer o que fiz.
Eu,
particularmente, considero a questão da inclusão como algo muito grave e
triste, tanto para os professores, que não recebem orientação para trabalharem
com esse tipo de aluno e para o próprio aluno, que não tem culpa da situação em
que se encontra.






