No início da minha carreira, eu era muito
inexperiente e essa falta de experiência me fazia passar por situações
constrangedoras. Lembrando que eu tinha muita dificuldade de segurar o riso.
Eu
recebia a lista de nomes e me atrevia a fazer a chamada imediatamente, coisa
que eu não faço mais. Hoje eu recebo a lista, leio os nomes, se eu tiver
dúvidas, pergunto a alguém sobre a pronúncia do nome e, aí sim, eu faço a
chamada.
Alguns
nomes muito exóticos que encontrei pelo caminho: Bruce Waine, Leidedaiana, John
Lennon, Elton John, Greiciskely, Santo (que de santo não tinha nada), Mardison (vulgo Mardição, de tão bagunceiro
que era). Um muito exótico que era Buci Tildes, eu acho que os pais quiseram fazer
uma homenagem à atriz Brooke Shields, não sei. Fora as misturas que gostam de
fazer para homenagear avós, como Valdicleison, mistura de Valdete com Cleison,
Ermicídio, mistura de Ermínia com Delcídio, entre outros. Além desses, ainda há as variações: Michel, Michael, Maicon, Máicou, Maicow, Mikael, que a gente nunca
sabe a pronúncia ao certo. Fazer o quê? Nome não vem com pronúncia.
Mas
um episódio que eu não esqueço foi quando entraram duas alunas novas na sala e
eu acabei perguntando da minha mesa quais eram seus nomes, para que eu os
anotasse em minha caderneta.
Uma
delas falou o nome e sobrenome direitinho e eu anotei, a outra falava seu
primeiro nome, seu nome do meio e quando chegava ao sobrenome, eu não conseguia
entender, pois ela o pronunciava muito baixo.
Sem
me tocar do que estava acontecendo, eu pedi que falasse seu nome mais alto e
ela continuava fazendo a mesma coisa, falava seu primeiro nome, seu nome do
meio e quase sussurrava seu sobrenome. Eu fiz uma cara de quem não entendeu
novamente.
Percebendo
que eu iria perguntar mais uma vez, a garotinha da frente me alertou,
sussurrando:
-
É “Pinto”, professora...
Ai,
meu Deus. Foi uma das ocasiões mais difíceis de segurar o meu riso.






