E TUDO COMEÇOU COM O “ENXULÃO”...
Quando
eu comecei a fazer a faculdade de Letras, iniciei também um curso para ser
cabeleireira, pensando na possibilidade de montar um salão para trabalhar de
dia e dar aulas à noite.
Eu
estava gostando muito dos dois cursos, no entanto, eu percebi que uma
característica minha atrapalharia muito, se eu optasse por ser cabeleireira: o fato
de não conseguir segurar o choro ou o riso. Pois, todos sabem que quando uma
cliente vai ao cabeleireiro, quer sair com a autoestima elevada, sentindo-se bonita, e o mesmo vale para os homens.
Durante
esse curso, eu me deparei com várias situações, como cabeças tortas, com
verrugas ou piolhentas. Além de muitas pessoas que insistem em copiar cortes de
famosos e, muitas vezes, não lhes caem bem.
Terminei
o curso de cabeleireira e acabei não montando um salão, apenas atendia alguns conhecidos
da vizinhança e cortava os cabelos dos meus familiares, porque com eles eu
poderia rir à vontade, caso alguém ficasse ridículo.
Um dia, apareceram aulas livres para eu
ministrar e tive que parar com as atividades por falta de tempo. Lembro-me como
se fosse ontem, era uma classe de crianças do 6º ano, antiga 5ª série, com
meninos muito levados para os quais eu daria aulas de Inglês.
Tudo
corria dentro da normalidade, quando numa dessas aulas, eu estava escrevendo na
lousa e uma garotinha gritou choramingando:
-
Professora, estão me chamando de enxulão!
O
termo enxu, aqui no interior de São
Paulo, é usado para designar uma colmeia de abelhas ou um enxame de abelhas.
Quando
olhei para trás, eu me deparei com a enxulão.
Era uma garotinha gordinha, cujo cabelo formava cachos volumosos que se
amontoavam no topo de sua cabeça, na hora pensei: “Não é que parece um enxu mesmo?”. Segurei o riso que
borbulhava na minha barriga e dei um sermão nos meninos sobre respeito ao
próximo.
Ao
sair da sala, fiquei refletindo o quanto os alunos são observadores e notam “aquele”
detalhe para dar apelidos às pessoas e este vai ser o assunto da próxima
postagem.

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